Rickard Heuser Vol: II Sacrifício

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Rickard Heuser Vol: II Sacrifício
Ref.: 978-85-66967-75-3
R$ 50,00


O livro “Sacrifício” não é uma moeda com dois lados.

Antes, um quebra-cabeça com muitas peças

Ficha técnica

Lançamento 2019
Título original Rickard Heuser Vol: II Sacrifício
   
Formato 14 x 21
Número de páginas 378
Peso 280 g
Acabamento Brochura
ISBN 978-85-66967-75-3
EAN 978-85-66967-75-3
Preço R$50,00

Ficha técnica e-book

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Conteúdos especiais

 
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Leia um trecho do livro

Introdução

Porto Alegre – Rio Grande do Sul - 1994

Vanessa Trindade ajeitou o cabelo em frente ao espelho e se encarou longamente. Precisava raciocinar rápido. Precisava ser discreta. Amarrou os cabelos, e soltou-os muitas vezes até se decidir. Finalmente, depois de enrolá-los num coque, ajeitou o casaco, fechando os botões, e pegou a bolsa.
Saiu do quarto a passos largos, e foi em busca de respostas. Desde a tragédia e o assassinato da Paola Cafiero, ela não dormia direito. Precisava olhar nos olhos da Giuditta, e saber o que realmente estava acontecendo. Precisava ter certeza de que ela não se lembrava de nada.
Quando adentrou o corredor do hospital, sentiu a tensão pousar sobre seus ombros. Não sabia se aquilo iria funcionar. Quando chegou à porta do quarto da Giuditta, viu um inspetor conversando distraidamente com uma enfermeira, e aproveitou para entrar sorrateiramente, sem ser percebida.
A cama estava desarrumada e a janela aberta. Não havia ninguém ali! Será que tinha se equivocado com os números, devido ao nervosismo, e entrara no quarto errado? Começou a olhar em volta assustada, quando a porta do banheiro se abriu e uma mulher saiu, com uma expressão curiosa no rosto.
— Sim? — Indagou-lhe, enquanto erguia a cabeça, terminando de ajeitar a barra da calça do pijama sobre a meia.
Vanessa trancou a respiração. Parecia que estava diante da Paola novamente! Era absurda a semelhança das duas.
— Eu sou a Vanessa, amiga da Paola... — E ela gaguejou ao se apresentar, enquanto observava a mulher se erguer rapidamente. — E você deve ser a...
Então ela viu! Sim, estava ali... Um pedaço inconfundível da certeza que precisava. A camisola tinha um decote largo, e enquanto Paola se abaixou e se ergueu, a camisola deslizou para o lado, deixando parte do ombro à mostra. E a parte da tatuagem ficou visível, por um segundo apenas. Um segundo, que foi exatamente o que a Vanessa precisava para saber, sem sombra de dúvida, de que não havia sido a Paola que fora assassinada, e sim a Giuditta!
— Giuditta Botello! Segundo o que dizem...
Paola suspirou. Vanessa dobrou a cabeça, e a espreitou de lado.
— Como assim? Acha que não é a Giuditta?
A paciente — que se dizia Giuditta — riu.
Vanessa se arrepiou. Por um instante, quis esquecer-se do que veio fazer ali e quis abraçá-la, apertá-la e dizer que estava muito feliz em saber que estava viva! Dizer que sentiu saudades de todas as conversas e de todas as risadas, e que não havia como confundir a risada dela nem no Brasil, e nem na Itália!
— Não estou em condições de achar nada, Vanessa! Eu gostaria que pudesse me falar um pouco do relacionamento da Paola com a Giuditta, aquela que existiu antes do acidente. Porque, absolutamente, ninguém tem uma explicação razoável para o assassinato da Paola, e para o acidente que me fez perder a memória, depois de ter vindo visitá-la!
— Vocês eram irmãs gêmeas...
Vanessa ouviu passos se aproximando do quarto. Precisava sair dali...
— Tem certeza de que não se lembra de mim?
As duas se olharam por uma fração de segundo, e Vanessa compreendeu o que precisava fazer. Tinha que ser rápido e discretamente.
— Desculpe, preciso ir!
Virou as costas e saiu porta afora, deixando Paola estupefata, e com as mãos abertas, espalmadas. Nisso, a enfermeira que cuidava dela, entrou e parou na porta, encarando-a analiticamente.
— O que está fazendo em pé, com essa cara de quem viu um fantasma?
A enfermeira Talita era uma mulher alta, cabelos claros, olhos azuis, com uma risada capaz de encher o coração de quem ouvisse, trazendo a doce e iluminada alegria que a alma anseia. Seu olhar sincero inspirava confiança, estava sempre buscando dar o melhor de si em tudo que fazia dentro do hospital.
— Viu a moça que saiu do meu quarto agora?
— Desculpe. Como disse? Quem esteve aqui?
— Vanessa, amiga da Paola. — Paola deu de ombros. — Deixa pra lá...
— Acho que estava distraída... Vi que uma moça passou por mim, mas não vi de onde saiu e nem olhei o rosto dela...
Paola voltou à cama, sentou-se desanimada, deixando os ombros caírem:
— Ok. Quando vão me liberar?
A enfermeira olhou-a, consternada.
— Eu não sei querida!
A enfermeira Talita entregou os medicamentos à Paola, dizendo:
— Gostaria de ter boas notícias, de verdade...
— Não aguento mais o ponto de interrogação na cara do Enrico, o senhor que se diz meu marido!
— Ele é muito dedicado, ama muito a senhora, Giuditta!
— Já percebi. — E ela balançou a cabeça e esfregou as mãos pelos cabelos, alisando-os com força para trás. — Bem que eu queria poder lembrar-me do quanto o amei também. Pelo menos, me lembrar disto, já seria suficiente!
— Tenha paciência, e as coisas vão se encaixando.
— Obrigada, Talita! Você é minha única amiga, nestes últimos dias!
Talita fitou-a com um olhar carinhoso, enquanto retirava do braço da Paola o medidor de pressão. 
— Tenho certeza de que vai lembrar-se aos poucos das pessoas que ama...
Ela ajeitou o termômetro no braço da Paola, e suspirou.
— Não vai ser difícil se apaixonar pelo Enrico, mesmo que você não consiga se lembrar de, absolutamente, nada!
Paola ergueu o olhar, e deu-lhe uma piscadinha marota:
— Você o acha lindo, não é?
Talita deu risada.
— Não seja boba, menina! Você sabe quantas enfermeiras daqui adorariam acordar num hospital com amnésia, e encontrar um príncipe italiano esperando por elas, todo apaixonado, e dizendo que é o seu esposo?
Paola sorriu timidamente. Ajeitou-se na cama, puxando o lençol branco, trazendo-o até a cintura. Ao lado da cama, na bandeja da enfermeira, estavam os medicamentos, e equipamentos que verificavam sua saúde diariamente, mas não tinham capacidade de medir o estado emocional dela.
— Você não tem ideia do quanto desejo retribuir este amor...
Organizando as faixas de gaze, pomadas, esparadrapos, termômetro, os copinhos com cápsulas, na bandeja, Talita preparava-se para sua próxima visita. Ao ouvir o comentário, com as sobrancelhas erguidas num arco, ela virou-se para Paola.
— Por que não retribui?
Paola fez uma careta.
— Às vezes, crianças são colocadas juntas para brincar, porque as mães são amigas... Os pequenos não têm interesse em compartilhar com os amigos a sua vida egocêntrica, e as duas mamães ficam lá, insistindo... Loucas para tagarelar!
Talita deu uma baita risada devido à comparação, depois, olhou-a fixamente:
— E quando dão uma chance para conhecer o outro, acabam se divertindo, e descobrindo que a vida é mais bonita quando compartilhada!
Talita parou, por um instante, na porta do quarto, e sorriu para ela:
— Está preocupada demais, garota! Se você não se acalmar, e deixar sua mente tranquila, suas lembranças vão ficar com medo de voltar, tamanhos monstros descabidos estarão morando nesta sua cabecinha!
As duas riram juntas. Como criança pequena, assim Talita Rangel a tratava. Paola não se importava, achava afável e delicada a maneira da enfermeira, trazia brilho até para os seus dias mais nublados e difíceis.

Foto Autor

Maikeli Zanella

Sobre o autor

Nasceu em 1987, em São Martinho, Rio Grande do Sul, e cresceu em uma chácara com a mãe, os tios e os avós, ouvindo muitas histórias e versos. Aprendeu a amar a literatura, desenvolveu a criatividade, e começou a registrar as histórias que inventava aos onze anos de idade.
Iniciou os estudos na cidade de origem e concluiu em Ivoti, onde iniciou este livro, criando os personagens principais e o enredo. Formou-se em licenciatura plena em Português/Inglês/Literatura em Porto Alegre e trabalhou como revisora na editora IOB, informações jurídicas, na mesma cidade.
Maikeli ainda foi voluntária, prestando serviços humanitários em São Paulo, região Sul, pela instituição A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, exercendo funções de liderança e participando da realização de atividades diversas e treinamentos.
Casada, mãe de dois filhos, atualmente é professora de Língua Portuguesa dos anos finais do ensino fundamental na Escola Dom Bosco, em Uruguaiana.

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